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Reciclagem movimenta potencial de R$ 2,6 bilhões no RJ; Norte Fluminense tem oportunidades, aponta Firjan

Mais de 2,5 milhões de toneladas de resíduos potencialmente recicláveis foram encaminhadas para aterros sanitários no estado do Rio de Janeiro em 2023. O material tinha valor de mercado estimado em mais de R$ 2,6 bilhões e poderia ter sido aproveitado como matéria-prima pela indústria. Os dados fazem parte da terceira edição do Mapeamento dos Recicláveis Pós-Consumo, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e apresentado a empresários do Norte Fluminense.
O estudo foi discutido na quarta-feira (14), durante uma reunião do Conselho Empresarial da Firjan Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes. Lançado no fim de 2025, o levantamento analisa o potencial econômico dos resíduos recicláveis e reúne propostas para ampliar o reaproveitamento desses materiais.
Segundo o gerente de Sustentabilidade da Firjan, Jorge Peron Mendes, o retorno dos resíduos à cadeia produtiva pode gerar novos ganhos para a economia. Ele explicou que, se os R$ 2,6 bilhões estimados em materiais fossem reinseridos no processo de produção, o impacto poderia representar R$ 6 bilhões adicionais para a economia brasileira.
O levantamento também projeta que a expansão da reciclagem no país pode gerar R$ 11,6 bilhões em renda, considerando lucros e salários, além de contribuir para a criação de 40,6 mil empregos diretos e indiretos. Essas estimativas são nacionais e não representam projeções exclusivas para o Norte Fluminense.
Estrutura regional pode ampliar o reaproveitamento
O diagnóstico apresentado pela Firjan mostra que o Norte Fluminense já conta com agentes que atuam na cadeia de resíduos, mas ainda tem espaço para ampliar a estrutura de reciclagem. A região possui uma cooperativa, 11 empresas de gestão de resíduos e 10 intermediários, mas não conta com uma indústria recicladora.
Para o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, a instalação de empresas do setor poderia ampliar as etapas de coleta, beneficiamento e transformação dos materiais na própria região. Isso também poderia reduzir a necessidade de encaminhar os resíduos para outros territórios.
Entre os entraves discutidos durante o encontro estão a falta de coleta seletiva, os custos de logística e a necessidade de políticas públicas e incentivos para tornar a reciclagem mais competitiva.
O empresário Rodrigo Martins, da Enaltec, destacou que os resíduos podem representar uma fonte de recursos para os municípios, mas avaliou que a ausência de sistemas eficientes de reaproveitamento impede que esse potencial seja aproveitado.
“O resíduo pode virar recurso para a cidade, mas a ineficiência do poder público enterra o dinheiro quando não recicla. Os municípios já deveriam ter se atentado a isso”, afirmou.
Vidro também enfrenta dificuldades
O vidro foi citado como exemplo de material que poderia retornar à indústria, mas que enfrenta dificuldades para chegar novamente à cadeia produtiva. Apesar da possibilidade de reaproveitamento, a falta de sistemas eficientes de coleta e destinação dificulta o retorno desse resíduo aos fabricantes.
O estudo da Firjan reúne 12 propostas de ação para ampliar a reciclagem. Entre as medidas estão melhorar a coleta de dados sobre os resíduos, criar incentivos, formalizar os agentes que atuam na cadeia e adotar medidas para aumentar a competitividade do setor.
A discussão em Campos colocou em pauta a necessidade de ampliar a estrutura regional de reciclagem e criar condições para que materiais hoje encaminhados aos aterros possam ser aproveitados como insumos industriais. O levantamento completo está disponível na plataforma Observatório Firjan.






