Se liga na FM O Dia
Sem voos comerciais desde março de 2025, Campos cria grupo de trabalho com a Firjan para atrair companhias aéreas

A ausência de voos comerciais em Campos dos Goytacazes, cenário que se arrasta desde março de 2025, se tornou um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e a competitividade industrial do Norte Fluminense. Com o objetivo de reverter o isolamento aéreo e restabelecer a conectividade do município, a Representação Regional da Firjan Norte Fluminense promoveu, na manhã desta terça-feira (20), uma reunião com lideranças empresariais, autoridades do poder público municipal e a concessionária administradora do Aeroporto Bartolomeu Lysandro.
O cancelamento das rotas comerciais na cidade ocorreu em razão de reestruturações financeiras e administrativas da companhia Azul Linhas Aéreas, única operadora que mantinha serviços regulares no terminal. Desde então, a perda da malha aérea passou a afetar diretamente cadeias produtivas estratégicas, incluindo o complexo porto-industrial do Açu, o comércio local e o fluxo de turismo de negócios na região.
Durante o encontro, o superintendente de operações da Infra S/A, Samuel Tavares, explicou que a concessionária tem mantido negociações com empresas do setor aéreo, como a Latam e a própria Azul. O executivo ressaltou, porém, que o avanço das conversas depende da comprovação da viabilidade econômica das rotas para atrair novos investimentos das companhias.
A federação das indústrias, por sua vez, reforçou que atuará diretamente na busca de soluções técnicas. O especialista em Estudos de Competitividade da Firjan, Rafael Lanunci Poubel, destacou a importância de integrar os esforços das entidades para acelerar o processo. Segundo Poubel, a federação pretende analisar em que estágio estão os levantamentos da concessionária e qual o encadeamento de ações necessário para impulsionar a retomada dos voos com base em dados consistentes.
A preocupação com os impactos econômicos também foi endossada pelo setor público. O Secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação de Campos, Felipe Knust, enfatizou que os voos que operavam no terminal registravam alta taxa de ocupação e que a paralisação tornou-se o principal gargalo logístico da cidade, prejudicando o turismo e os investimentos no Porto do Açu. Na mesma linha, o gerente de relações institucionais do Porto do Açu reforçou que a consolidação de uma infraestrutura robusta é indispensável para demonstrar a capacidade produtiva regional e destravar novos negócios.
O empresariado local também cobrou celeridade na entrega de diagnósticos concretos. O presidente da CDL e membro do Conselho Empresarial da Firjan, Fábio Paes, manifestou preocupação com o fato de a concessionária ainda não dispor de um estudo de viabilidade concluído, mesmo após um ano e sete meses de interrupção dos serviços comerciais, apontando a urgência de mapear custos operacionais e garantias de demanda.
Como encaminhamento prático, o conselheiro da Firjan, José Walmir, ressaltou que o processo pode se espelhar no caso de sucesso de Macaé, onde a articulação iniciada em 2020 pelo movimento Repensar Macaé e apoiada pela Firjan conseguiu recuperar a conectividade aérea local. Ficou acordada a criação de um Grupo de Trabalho permanente sob a coordenação da Firjan Norte Fluminense. Uma nova reunião foi agendada para novembro, data em que a Infra S/A deverá apresentar dados detalhados sobre a demanda pregressa, capacidade operacional e o histórico das ações já executadas para embasar as negociações futuras.







