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Francisco Esteves recebe título de Professor Emérito da UFRJ por contribuição à ciência e à expansão universitária em Macaé

O professor Francisco Esteves, fundador do Núcleo de Pesquisas Ecológicas de Macaé (NUPEM), recebeu nesta quarta-feira (14) o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O reconhecimento destaca uma carreira dedicada à pesquisa científica, à formação de pesquisadores e à conservação ambiental, além de sua contribuição para a expansão do ensino superior público em Macaé.
Natural de Cascavel, no Ceará, Esteves nasceu em 4 de setembro de 1950 e chegou ao Rio de Janeiro aos nove anos. Filho de um pequeno agricultor e de uma trabalhadora doméstica, perdeu o pai ainda na primeira infância. Aos 13 anos, começou a trabalhar como vendedor em uma papelaria, conciliando a rotina profissional com os estudos em escolas públicas.
Em 1970, ingressou no curso de Ciências Biológicas da UFRJ e concluiu a graduação em 1973. O interesse pela ecologia dos ambientes aquáticos o levou a pesquisar locais como a Lagoa Rodrigo de Freitas e os lagos de altitude do maciço de Itatiaia. Depois, fez doutorado na Alemanha, no Instituto Max Planck de Limnologia, ligado à Universidade de Kiel, sob orientação de Harald Sioli. Concluiu a formação em 1978.
De volta ao Brasil, tornou-se professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde criou um laboratório dedicado ao estudo das macrófitas aquáticas. Em 1988, publicou Fundamentos de Limnologia, obra que se tornou referência para estudantes e pesquisadores interessados nos ecossistemas aquáticos continentais.
A relação com Macaé começou no início da década de 1980, durante pesquisas nas lagoas costeiras do Norte Fluminense. As equipes enfrentavam dificuldades de infraestrutura e chegavam a acampar às margens das lagoas para realizar os estudos. A experiência reforçou a necessidade de uma base permanente de pesquisa na região.
Após ingressar na UFRJ, em 1989, Esteves articulou a criação do NUPEM, inicialmente instalado em estruturas adaptadas no Parque de Exposições Agropecuárias de Macaé. O núcleo cresceu e se consolidou como unidade acadêmica voltada à pesquisa, ao ensino e à extensão, contribuindo para ampliar as oportunidades de formação universitária no município.
O pesquisador também participou da articulação científica que contribuiu para a criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, em 1998. A unidade protege ecossistemas costeiros do Norte Fluminense e representa um exemplo da contribuição da pesquisa para a conservação ambiental.
Ao longo da carreira, Esteves ajudou a formar novas gerações de pesquisadores e a aproximar a universidade das questões ambientais e sociais da região. Mais recentemente, participou da elaboração da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa da UFRJ. A homenagem reconhece uma trajetória que transformou pesquisas iniciadas em condições precárias em um projeto acadêmico duradouro, construído com a participação de professores, técnicos e estudantes.







