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Produção de petróleo dispara na Bacia de Campos e chega ao maior nível em cinco anos

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Cinco anos depois de registrar seus níveis mais baixos de produção, a Bacia de Campos voltou a alcançar uma marca que não era registrada desde 2021. No segundo trimestre de 2026, a produção média de petróleo e gás chegou a 953,4 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), crescimento de 19,45% em um ano. O resultado coloca novamente a tradicional área produtora do litoral fluminense em uma posição de destaque no setor nacional. A Bacia de Campos respondeu por 16,8% de toda a produção brasileira de petróleo e gás no período.

Os números fazem parte da terceira edição do Boletim do Setor de Óleo e Gás do Norte Fluminense, elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). A recuperação não se restringiu ao petróleo. A produção do óleo chegou a 843,27 mil boe/d, alta de 18,06% na comparação anual. O gás natural avançou 31,3%, atingindo 110,13 mil boe/d. A retomada ocorre com forte participação da Petrobras. A companhia foi responsável, como operadora, por 67,9% da produção da Bacia de Campos, o equivalente a 647,5 mil boe/d.

Quando considerada sua posição como concessionária, a participação da estatal foi de 63%, com 600,5 mil boe/d. Os dois índices ficaram acima dos registrados um ano antes.A principal operadora privada foi a PRIO, com produção de 200,6 mil boe/d e participação de 21,08%. Também aparecem no levantamento Shell, Trident Energy, Brava Energia/Ecopetrol e Perenco.

Parte relevante desse volume saiu de plataformas FPSO. Das 41 unidades em operação na bacia no segundo trimestre, 19 pertenciam a esse modelo, responsável por 69,2% da produção, com média de 639,02 mil boe/d. O cenário de crescimento, contudo, não elimina um ponto de atenção identificado pelo levantamento: pelo segundo trimestre consecutivo, não houve registro do início de novas perfurações exploratórias na Bacia de Campos. A retomada da atividade tem reflexos sobre a economia regional.

Nos municípios de Macaé, Rio das Ostras, São João da Barra, Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, o setor reunia cerca de 36,9 mil empregos formais diretos e indiretos. O número é praticamente estável em relação a 2025, com retração de 0,14%. Em cinco anos, porém, a diferença é expressiva: o contingente de trabalhadores cresceu 43,3% desde 2020. Petróleo e gás representam 9,2% dos postos de trabalho considerados pelo estudo.

Porto do Açu se consolida como rota de exportação

A recuperação da produção também ajuda a explicar a importância crescente do Porto do Açu para o comércio exterior brasileiro. O complexo instalado em São João da Barra concentra uma parcela significativa do petróleo exportado pelo país. No primeiro trimestre de 2026, 32% das exportações brasileiras de petróleo cru foram embarcadas pela Unidade da Receita Federal de Campos dos Goytacazes, que inclui as operações realizadas pelo Porto do Açu.

A China foi responsável por 68,3% das compras de petróleo exportado pela região. Estados Unidos e Chile vieram na sequência, com 7,2% e 5,8%, respectivamente. A expansão das exportações, porém, aparece acompanhada de uma discussão sobre o destino da riqueza gerada pela atividade. O Ineep avalia que ampliar a venda de petróleo bruto ao exterior não significa necessariamente aumentar a industrialização no país.

Segundo o instituto, o desafio está em associar o crescimento da produção a investimentos que criem novas etapas produtivas, como refino, petroquímica e fabricação de equipamentos e serviços para a própria indústria.

Royalties reforçam peso da atividade nos municípios

A dimensão econômica da Bacia de Campos também aparece nos recursos distribuídos às cidades. No segundo trimestre, os municípios fluminenses confrontantes com a bacia receberam, somados, R$ 1,61 bilhão em royalties e participações especiais. Macaé liderou a arrecadação, com R$ 496,31 milhões. Arraial do Cabo recebeu R$ 296,19 milhões; Campos dos Goytacazes, R$ 215,92 milhões; e Armação dos Búzios, R$ 151,99 milhões.

Os números desenham um cenário de recuperação da Bacia de Campos com impactos que ultrapassam a produção em alto-mar. A atividade alcança o mercado de trabalho, a infraestrutura de exportação e as receitas municipais, enquanto permanece o debate sobre como transformar o novo ciclo de produção em maior desenvolvimento econômico e industrial para a região e para o país.




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